segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

2009 - O futebol e a teoria

O que seria da humanidade sem a teoria? Nossa grande virtude (ou grande defeito?) é essa capacidade incrível de atribuir significados as coisas. Um exemplo disso é o nosso processo de reprodução; inventamos o vinho, as flores, as desculpas esfarrapadas e grande elenco para “perpetuar a espécie”. Mas não é sobre isso que quero falar. Voltando às coisas e seus significados, gostaria de refletir sobre o futebol e quanta teoria existe para analisarmos um evento de 90 minutos que é, muitas vezes, completamente aleatório.

Aleatório porque o futebol é o único esporte onde o pior pode vencer, explico; para ganhar uma partida de basquete, por exemplo, o time precisa fazer ponto pra caralho e isso pressupõe um nível de assertividade grande (affe, que viagem...) já no futebol a equipe vencedora precisa apenas de 1 gol, de 1 chute,1 frango. Estou me perdendo bastante no que eu queria falar, mas a ressaca não quer colaborar com meu raciocínio linear (vide comentário sobre a reprodução).

E ai ficamos nós, analisando tática, técnica, estado psicológico, fatores extra-campo para tudo se resumir em 90 minutos completamente aleatórios. O exemplo do campeonato brasileiro de 2009 é bem bacana para ilustrar o que quero dizer.

Quais foram os dois grandes times do final do ano no Brasil? Sem dúvida a dupla Fla-Flu. Os teóricos, comentaristas e filósofos de bar como eu nunca imaginariam esse cenário, e com razão. Vamos analisar como ambos fizeram quase tudo errado e, por alguma razão, deu certo:

Desde a época do futebol de botão e da bola de capotão ouço que o Fla deve até as cuecas do faxineiro, e mesmo assim os caras contratam grandes jogadores sempre. Em 2009 trouxeram Petkovic e Adriano; o primeiro para pagar mais uma dívida do clube (imaginem sua empresa te devendo dinheiro fazendo a proposta; “trampa ai uns dois anos que divimos a dívida em salários”, eu enfartaria) e o segundo que virou o grande mártir do mundo cão-capitalista (pára, né?) ao abandonar a Inter de Milão para ficar perto dos cumpadi na tal Vila Cruzeiro.

Qualquer pessoa com o mínimo de bom senso e conhecimento sobre futebol apostaria na combinação explosiva de um time sem comando, com um veterano enfiado guela a baixo no elenco e um bebum (no melhor sentido da palavra) que ganha mais que todo mundo e
treina quando quer. Enfim, tinha tudo pra dar errado e deu certo. E deu certo por que futebol se resolve em 90 minutos e dento do campo, o resto é vinho, flor e desculpa esfarrapada.

E o Fluminense então? Tava fazendo de tudo pra voltar para a série B; um patrocinador que manda no clube, que paga salários altos para meia-dúzia enquanto o resto recebe uma mixaria e atrasada, quando recebe. Nesse cenário os caras trocam de técnico umas 3 vezes no ano para parar no Cuca, que meses antes fora mandado embora do Flamengo e antes ainda do próprio Flu.

O campeonato brasileiro de 2009 ficará na história por ter sido realmente incrível, mas ficará na minha memória por premiar a aleatoriedade, a falta de planejamento e mais importante; por me fazer lembrar que na prática a teoria é outra.

Pra finalizar, no começo do ano previ quais seriam os 5 primeiros colocados no campeonato e só errei um; o campeão! Ou seja, errei todos, fiz tudo certo e deu errado.

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